Por Pierre MC e Rosanna Tavares


terça-feira, 2 de novembro de 2010

Faz Barulho Entrevista Eliefi

Foto: Divulgação
ELI EFI dispensa apresentações para quem é do movimento Hip Hop Brasileiro - mas sintetizando - Ele foi um dos fundadores do grupo DMN e autor da música PODER PARA O POVO PRETO - O termo 4P está definitivamente eternizado no meio hip-hop brasileiro através do lançamento de uma gravadora e grife de roupas.

Atualmente ELI EFI mora em Nova York , mais precisamente no Bronx e por lá divulga a cultura brasileira e seu primeiro cd solo.

O FazBarulho entrevista o Rapper que escreveu AGÁ ponto AÇO e fez sucesso por aqui nos áureos tempos do DMN – grupo que criou com o DJ SLICK e ficou por 15 anos, está mostrando lá fora que o bonde realmente não pode parar.

Qual a força do movimento Hip Hop Nacional na sua visão ?

"A Força do Hip Hop Nacional está na forma que as pessoas conseguem se sentirem livres quando fazem parte de alguns dos elementos desse movimento ou cultura. Acredito que essa é uma das sensações mais importantes que alimenta auto confiança e auto critica de si mesmo e de tudo que está ao redor. O hip hop ensina muita gente a não ter vergonha de expor o que pensa, Isso é muito bom mesmo sabendo que, terá um monte de pessoas que vão expor todas suas ambições, fantasias, etc...faz parte!"

O Que a velha escola do RAP ensinou para os que estão chegando?

"Hum...essa pergunta é um pouco difícil de responder. Acho que a velha escola já deixa logo de cara a coragem de serem os primeiros a darem a cara à tapa, quando as pessoas ainda não conhecem o que significa tudo isso. Depois trilha um caminho para que as pessoas saibam mais da importância disso tudo. Acredito que isso ja é um grande motivo a ser respeitado, ao contrário disso é como se você viesse para o mundo sozinho. Todo mundo vem de uma mãe que já estava na terra antes e por isso deve ser respeitada. A velha escola carregou e cravou a bandeira do Hip Hop e os que estão chegando podem continuarem cuidando dessa chama que mantém o Hip Hop vivo em diversos lugares desse planeta."

O Que a nova escola do RAPestá trazendo de novo?

"Pra mim é a evolução na era da tecnologia. Hoje quem souber usar a tecnologia ao seu favor, pode sim ampliar a propagação da sua mensagem e de sua arte de forma geral. Acredito que essa força nova mantém o hip hop fazendo barulho e despertando mais e mais pessoas por onde esse estrondo passa. Muitos da nova escola pegaram um pouco da força questionadora do hip hop de ontem e mesclou com a forma mais balanceada de fazer com que essa mensagem chegue mais longe e para outras camadas da sociedade também."

Em meio á globalização , você acha que ainda há discriminação no RAP ?

"O Brasil ainda discrimina o Hip Hop e as pessoas que fazem isso, infelizmente. A mente conservadora ainda pega em pontos que é doloroso imaginar, ainda mais no século 21. As roupas que usamos ainda é alvo de suspeita para os "senhores da ordem e da lei" . Mesmo essa música movimentando milhões de dólares no mundo. País como nosso preferem ignorar com o discurso de que isso é coisa de americano. O que me deixa revoltado é que o rock brasileiro vem de onde? essa mistura de jazz encontrada na MPB de onde vem? essas rádios convencionais que temos no país onde mais de 90% estão a serviço dos produtos norte americano, será por que? O que mais me entristece é que os argumentos são pobres demais para justificar o por que do não investimento verdadeiro nesse movimento, que na somatória, ja fez mais coisas importantes no quesito transformação da sociedade do que muitas instituições.'

O Que você acha que é preciso pra se destacar?

"Vou responder isso em poucas palavras: Talento, persistência, acreditar em si mesmo, se valorizar o tempo todo, humildade(nada de exageros), dedicação como tudo na vida da gente requer dedicação!"

Os Nomes de grupos, você acha que existe uma filosofia por trás da escolha?

"Eu Acho que a maioria dos grupos ou mc"s tem uma filosofia por trás do que estão fazendo o problema é descobrir que tipo de filosofia é essa! Há Grupos que estão voltados a serem porta vozes de um povo, onde a peça chave do trabalho é musicalizar ou requintar com arte o manifesto da vida, da liberdade e da justiça. Outros... ah, esses são os que sonham o tempo todo em se tornarem "Super Star" onde a filosofia está embalado no "faço tudo e a qualquer preço" para chegar no topo!"

O Que te motiva?

"O que me motiva a fazer Rap é acreditar que as palavras também podem mudar os pensamentos das pessoas e nos fortalecer, para alcançar a tão aclamada Vitória que ainda é o sonho de muita gente nesse mundo, consumidos pelas injustiças!"

Como Você cria suas músicas?

"Eu sou péssimo em Freestyle, já digo de cara, (risos)... minhas músicas vem de minhas inspirações de tudo que sinto e vejo e até mesmo leio. Sempre gostei de poesias e de respeitar a velocidade de como a inspiração nasce e vai crescendo dentro de cada um de nós. Pra mim as músicas são como os filhos que colocamos no mundo, essa é a razão com que tenho tomado cuidado para não forçar e escrever algo que não venha de dentro de mim."

Como foi a produção do seu primeiro CD solo, como foi a aceitação ?

"O meu CD ainda está sendo um grande desafio na minha vida, dentro dos meus 22 quase 23 anos de trajetória no Hip Hop Brasileiro. Estou feliz com o resultado do Single "Propaganda" e da espectativa que muita gente está tendo sobre o meu álbum que acreditem, tenho motivos para estar segurando ele mais um pouco. Coisas boas, aguardem!"

Qual Sua visão da Mulher dentro do Movimento Hip Hop?

"Fundamental!! A Mulher torna esse movimento muito mais resistente e participativo no sentido de reais valores. Trás uma força de comunidade mesmo e são muito mais organizadas que nós homens. Também trás uma espiritualidade para superar os obstáculos e seguir em frente. Precisamos de muito mais mulheres no Hip Hop e que elas também estejam compromissadas em trazer conteúdo e serem exemplos para outras e outras. Existem algumas mulheres mais ainda estão sobre o efeito da ótica dos homens e com isso tem mais sexualidade do que conteúdo..assim como muitos artistas masculinos também."

Na Sua visão existe público específico para o Rap ou Existe público pra música? qual a missão do Rap como música?

"Existe público que absorvem tudo em termos de música e tem outros bem seletivos que optam para boa música. A Missão do Rap como música no meu ponto de vista e de não deixar de aprender a tocar instrumentos musicais, ser mais criativos quando for produzir ou escolhar um beat para suas letras, não ter vergonha de ousar mais, para conseguir um resultado mais interessante em termo de música. O rap não pode ser tratado como menos valor musical por que na maioria das vezes nao é uma banda, e uma boa parte da músicas, são samples de artistas consagrados ou nao nos anos 60's, 70's e o comecinho dos 80's. Se liga aí!!!!!!"

DEIXO AQUI, UM SALVE PARA TODOS(AS) QUE APOIAM E MANTEM VIVA A CHAMA DO FAZBARULHO - AGRADEÇO TAMBÉM A TODOS DESSE TIME QUE SEMPRE VEM ME DANDO MUITO APOIO E ME MOTIVANDO A NÃO DESISTIR DAS MINHAS METAS. VALEU MESMO POVO LINDO!
Faz Barulho Entrevista Eliefi Rating: 4.5 Diposkan Oleh: Pierre