Por Pierre MC e Rosanna Tavares


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Faz Barulho Entrevista: Lívia Cruz

Foto: Ornella Flaksbaum Piccion
Antes do show em Fortaleza, O Faz Barulho Entrevistou com exclusividade, a carismática Lívia Cruz, uma das protagonistas do Hip Hop Feminino e Brasileiro, que demonstrou-se bastante empolgada e ansiosa em sua vinda para o show na cidade do sol no dia 18/12.






Qual a sua expectativa para o show aqui em Fortaleza?

Estou muito animada com esse show! conheci o Fábio da produção a mais ou menos 1 ano e tô aguardando esse convite a muito tempo, desde que surgiu a parceria com o Costa á Costa. Tenho muita curiosidade em conhecer a cena daí, e estou em um mometno muito especial, a 7 anos que não retorno a minha cidade natal RECIFE e voltar pro Nordeste fazendo esse show vai ser muito emocionante!


O Faz Barulho quer saber, quando sai seu disco? você pode adiantar algo?

O meu disco já ficou pronto mais de uma vez, mas ainda não fiquei satisfeita com os resultados, no momento estou reformulando e fazendo novas composições, não posso adiantar datas, mas posso garantir que estou me dedicando ao máximo nesse trampo!


Em 2008 você participou da mixtape do DJ KL Jay, como surgiu o convite?

O convite surgiu depois que o KlJay ouviu um EP que lancei em 2005, na Mixtape Rotação 33 tem como faixa bônus uma das tracks desse EP, a primeira versão de "Mel e Dendê", e gravamos uma faixa inédita pra mix, eu e Aori em um instrumental do MV Bill.


Depois de participar do quadro "Garagem do Faustão" em rede nacional, isso te deu uma visão melhor
de como o Hip Hop feminino possa sim fazer parte da música brasileira, levando estilo próprio?

O Rap e o Hip Hop tem seus espaços garantidos na cultura do Brasil, são muito fortes e vem transformando nossa juventude a decadas. Acredito sim que se destacam os que conseguem imprimir um estilo único na hora de fazer sua arte, isso em qualquer gênero, em qualquer tempo. Acho que pra nós mulheres conquistarmos mais espaços, é importante se estabelecer em todos os setores da produção cultural, cantoras, produtoras, jornalistas, fotografas, instrumentistas, videomakers, empresárias, só assim vamos deixar de ser "Café com leite".

O Que você acha de alguns artistas do nordeste sendo tão bons, não fazerem sucesso merecido no sul, como Emicida atualmente está fazendo no Rap Nacional?
está faltando algo?

Acho que tem diferença entre ser bem sucedido e famoso, e um trabalho musical ou um artista bem sucedidos, não necessariamente fazem girar dinheiro, tudo depende de onde fica a sua meta e como se quer chegar nela.
Como já disse, fazem 7 anos que não retorno ao Nordeste, sei da cena de quando eu morava em Recife, e algumas coisas que acompanho na internet, mas pra dimensão do que ta rolando o que eu sei é muito pouco...
Sei que o Costa á Costa em 2007 fez um estouro, e tenho sim a impressão de que rola um boicote nos grandes meios de destaque dentro do RAP, mas não acho que tem a ver com geografia, tem mais a ver com o medo do novo, tem mais a ver com a falta de profissionalismo geral de quem ta no meio, dos atravessadores, e também dos artistas...
Sei que no Nordeste, o que eu senti e aprendi quando comecei minha trajetória aí, é que o RAP e o HIP HOP estão encrustrados na cultura regional como um todo, em Recife o Mangue Beat é cria do H2, não tenho dúvidas quanto a isso.

Você acha que o Hip Hop feminino evoluiu e não deve mais perder a sua feminilidade?

O Hip Hop evoluiu como um todo e nós mulheres temos participação crucial nessa evolução, sobre a feminilidade, isso é pessoal de cada artista, e vai da interpretação de cada ouvinte. Teremos sempre que nos impor, como mulheres, seres humanos, negros, nordestinos, brasileiros, como quisermos a qualquer tempo, palavras duras muitas vezes não são consideradas do universo feminino, mas se enganam os que pensam assim, o universo feminino é plural e se manifesta das mais diferentes formas.

Ainda adolescente, você mudou-se de Recife para o Rio de Janeiro, sua música teria tomado um rumo diferente se tivesse ficado no Nordeste? o quanto isso foi bom
para você?


Eu não saberia dizer o que perdi, só o que ganhei. Não dá pra saber que rumo teria a minha vida se ela não tivesse sido vivida da maneira que conduzi até agora. Depois de mudar pro Rio, fui pra Brasilia e agora estou em São paulo.
Esse trânsito intenso me trouxe experiências culturais muito diferentes, extremas até. Foi muito bom, e foi muito ruim várias vezes, ruim quando senti que não estava mais no meu lar, na minha terrinha, e bom quando eu senti que meu lar é onde eu estiver, viajando pelo mundo, conhecendo, praticando, aparendendo, esses sentimentos são constantes, às vezes vem junto, outras vezes trocam de lugar, e às vezes somem, isso acontece quando eu não quero pertencer, só quero SER! Assim eu vivo a minha vida, mudando, e a minha música é um reflexo disso!


Mcs e Beatmakers surgem todos os dias, você acha isso um processo natural? ou muitos tem buscado isso influenciados por seus ídolos?

Boa pergunta! Acho que é um pouco dos dois. Todos têm o direito e devem lutar pelos seus sonhos, e se isso é despertado depois que a pessoa ouve um som ou assiste a um show, não é menos legítimo do que o sonho e a luta de ninguém, pelo contrário, estamos aqui com essa função também, de despertar os sonhos. Acontece que o show não é feito só pela batida, pelo Dj e o MC, existe o tec de som, o roadie, o produtor, figurinista, divulgador, tantas outras profissões, e isso falando exclusivamente da realização de um show... A gente vê que vários vem só pela emoção, ignoram que existe um trabalho intenso e constante até encontrar algum espaço, obter alguma conquista.
A gente vê varios que querem gravar mas nem escreveram a rima, vários que querem aparecer na TV mas nunca gravaram, vários que não fizeram nem uma coisa e nem outra mas querem o apoio da marca... Acho que nesse caso não é sonhar, é brincar com o sonho e o trabalho dos outros.


O Que você está ouvindo atualmente?


Eu ouço sempre as DIVAS eternas! Marisa monte, Alcione, Alicia keys, e por aí vai... De RAP Nacional os que eu tenho escutado são: O disco do Rael da Rima MP3, Costa á Costa sempre, o novo do INQUÉRITO Mudança e o Disco ENSAIO do McMaxBO que foi lançado esse mês recheado de rimas raras e que eu tive a honra de participar!



Quando você escreve, você já tem uma batida pronta para cantar ou são criadas depois, baseadas em suas letras?


Acontecem os dois processos, normalmente quando eu escrevo e crio junto uma melodia, prefiro encomendar um instrumental que seja criado em cima da minha composição, mas as vezes flui de adaptar com um instrumental que já está pronto, como foi com a minha música cartomante. Eu escrevo várias letras que não encontro beats pra elas, e às vezes escuto um instrumental que me inspira... O importante é acontecer, não tem fórmula!



O Que o Hip Hop representa para você?


Representa um divisor de águas na minha vida, um antes, depois e durante. É impossivel pensar em mim sem o H2, é o meu refúgio no mundo, é onde me encontrei e me perdi! Minha água, meu ar, meu alimento, minha luz, meu amor eterno, e fico feliz de que a recíproca seja verdadeira, de contribuir e me sentir amada também, é uma benção!



Faz Barulho Entrevista: Lívia Cruz Rating: 4.5 Diposkan Oleh: Pierre